sábado, 22 de setembro de 2012

O menino que enxergava estrelas.

Mais tarde,
Correu esse tempo,
Frases soltas,
Letras translúcidas,
Precisamos de silêncio,
Ficaremos aqui a te escutar,
Ficaremos aqui te esperando voltar,

Talvez não seja lá o meu destino,
Destino incerto correto e mais perto,
Mais perto de sumir,
No detalhe a mera melodia,
Voando pelas ruas escuras,
Com toda sua solidão nas costas,
Na mala levava saudades,
Na mente congelava detalhes,
Saia do corpo,
Soava frio,
Sentia a janela,
O calor que te acelera,

Não olho para trás,
É um jato de ideias jogadas no céu.

Perguntaram ao jovem o que ele queria ser quando fosse adulto,
o jovem guiado por sonhos e regrado pela vida, sempre com a frase
pronta falava que queria ser um profissional de alto calão, ele dizia que queria
ser advogado, dizia que queria ser rico, debochava sempre de gente que pensava pequeno,
pois na cabeça dele o verdadeiro sonho é aquele que traria resultados grandiosos,
na vida ele sempre teve tudo, não podia reclamar, surtava ao cair, não entendia
o porquê não parava de chorar, nervos a flor da pele, rosto meio escondido.
Assim se encaminhava os traços de sua personalidade, sempre se escondendo
por achar que ao se mostrar afastaria as pessoas, se escondia mas atraia todo mundo,
divertido, espontaneamente eufórico, auto-estima lá em cima mas tentando disfarçar,
não gostava de se engrandecer, não gostava pois sentia que a humildade o levaria mais longe.
Dificuldades em crescer, se espichava na cama pois imaginava que poderia crescer dormindo.
Superstições de todos os lados, tentava seguir um caminho imaginário,
caminho no qual ele encontrava a felicidade, encontrava o melhor jeito de se viver,
os médicos falam que é transtorno, ele acha que é destino, cabe a cada um entender o seu jeito de viver. Chegava a umas conclusões totalmente loucas, sem premissas algumas. Juntava palavras de cada canto em que passava pra compor uma frase, produz um pensamento, usa-se da sua capacidade para não ser passado para trás, valoriza a humildade, valoriza o amor, sentia-se sozinho mas abraçado com tanto calor. Forte era aquele que o protegia, de tantas noites vazias. Ponto é o que ele mais colocou, reconstruindo a cada dia tudo que desmoronou.
Todos sorrisos lá fora, e o choro que lhe rodeia, porque tantos gritam sem ouvir, e tu não para de reclamar?
Deixou o sentido ir culatra a baixo, deixou o carinho se expandir e se perder.
Recolhendo aos poucos toda sua grandeza que deixou-se esconder, olha todos os dias o fundo de sua alma e se pergunta porque seguir assim? Acha que deve satisfação a todos, sempre teve medo de escolher o lado que diziam ser errado, sempre teve medo de mim,
tantas escritas que o assustam, lhe regram a seguir uma vida.
Vê sonhos e destino a cada esquina em que cruza, vê belezas inexistentes, mas tão atraentes, goza de saudade, sem ao menos ter chego perto. Julga-se muito tudo aquilo que encostava e nomeava de Sonho, caminhava um tempo a mais e sentia-se ninguém. Tudo é tão pouco, após a conquista, assim ele entendia o seu caminho... Shakespeare já dizia que você é feito da mesma matéria que seus sonhos, isso resume a tua grandeza, isso dita teus limites.

Do tipo que não gosta de pedir ajuda, da raça dos que gostam de fazer tudo sozinho,
sentia-se capaz de tudo que queria, sentia-se grande por saber que vencia qualquer desafio,
não gostava de coisas prontas, gostava de criar, de recriar e debater suas ideias.
Caminhava sozinho por ruas que não conhecia, olhava cada canto um novo rosto, uma nova vida,
longas histórias perdidas. Não gostava do comum, não entendia
o porquê das palavras e muito menos das atitudes, tentava se entender, gostava de se entender, achava uma tarefa difícil, mas gostava mesmo de plantar flores na areia. Sei que a flor choraria, sei que a flor não se sentiria protegida, mas seria tão única que ele se apaixonaria. Possessivo mas compreensivo, não gostava mais de escutar o que não lhe completaria, corria atrás dos blocos que faltavam, mexia com a mediocridade alheia, corria atrás da vida que sonhava, sem medo de se afogar na areia. Ele ria de como as coisas se juntavam, achava que era um grande teatro e tudo estava ligado, andava na rua sorrindo achando que todo mundo era figurante contratado pra compor o cenário de sua história, sentia-se sempre o protagonista, ficava triste com facilidade, mas via delicadeza nas mais robustas pinturas. Julgava-se romântico, e tentava fugir da leva de produtos iguais ou até semelhantes, tinha medo da estampa, odiava rótulos por estampar a riqueza do produto. Sentia a necessidade de provar pra depois julgar, isso era interessante, ele era realmente interessante.

Sua fama foi aumentando, aos poucos se sentia importante, ainda via-se um nada, pois nem perto chegava de ser o que era. Tentava entender, tentava escrever tudo que lhe passava na cabeça, suas ideias eram contrárias a cada segundo, suas ideias se rebatiam e não tomavam rumo. Impulsivo cheio de vontade, me escutava aonde eu nem estava, impulsivo que odiava a realidade, mas não comprava a falsidade que rotulada se tornava uma grande irresponsabilidade. Cansava-se das rimas que surgiam na cabeça, cansava-se do óbvio e não gostava de repetir a mesma bebida. Se familiarizava com pequenas belezas, com pequenos objetos, tratava com carinho quem se mostrava sozinho. Não gostava de pouca coisa, mal gostava de nada. Cheio de textos geniais perdidos por aí, mas ele vivia se mentindo, tentando se misturar na leva de pessoas que não tinham capacidade de criar. Olhava para o lado tentava entender o que era real, o que ele realmente queria pra si. Entrou na universidade com muita voracidade, para se sentir grande ao lado de quem tanto esboçava responsabilidade.. Nas ruas ouvia comentários das pequenas pessoas que não passavam do primeiro obstáculo. Numa colmeia, ditava a lei a abelha rainha, as outras por instinto produziam as mais belas sincronias e simetrias. Talvez seja isso, deveria seguir a mesma linha, quem não seguisse iria cair.

O coração batia, via suas vontades se tornando piadas, não via mais o outro lado do horizonte, lembrava sempre da pequena frase do rio que já não tinha mais ponte. Sentia saudade daquelas conversas que não o levava a nada, mas faziam que tudo se moldasse de um jeito mais bonito. Tentava seguir uma linha de escrita semelhante aos dos grandes poetas, ria um pouco da sua indiscreta mais concreta falta de formalidade, pregava-se aos vícios, olhava os filmes e se colocava nas cenas, entrava na realidade alheia tão dele que ninguém havia de negar, sentia o calor do asfalto no seu pé, não se via produzido, sentia-se uma alma atrás da verdadeira essência do fim.

Escrevia poemas, sem grande valor, congelava histórias, com muito humor. Juntava as artes em uma só, saia do corpo sem ao menos um nó, não sentia-se bem, mas via que era uma sensação única, do corpo sairia, aos poucos morreria, sentiu o cheiro da maldade e viu a grande inocência do seu coração, gritou toda saudade e viu que não entendia o motivo de toda aquela geração, de toda situação que guiava-se ao fim, seguiam vivendo os pequenos animais, só a procura de um carinho a mais, suas pernas flutuariam seu corpo sucumbia aos mistérios da vida.

Espaço ele dava a cada texto que gritava, seu sonho cada vez mais moderno que não se juntava a nada.
Gostava de música, sentia falta dela em todos os momentos de sua vida, escutava a trilha sonora dos anjos quando sorria, via um mundo de proteção que jamais compreendia, faltava palavras pra ele terminar o que ele mais queria. Mesmo começando a cada dia, unia suas forças pra seguir naquele destino, que lhe induzia a solidão. Tinha medo da dor assim como todos, mas valorizava ela, mas o que ele mais tinha medo era de perder sua essência, sua coragem e seu sonhos, se via com uma casa, um cachorro, uma vida estável, mas sentia falta do amor que ele achou nos pequenos buracos, sentia-se único por ter vivido o que viveu. Parou no tempo pra salvar seu coração, parou no tempo e o tempo não perdoa, o tempo machuca, o tempo renova, o mesmo que te fazia sorrir, te fez chorar. Um ciclo gigantesco de histórias sem fins, com tantos começos inusitados, o palhaço entregava a flor para a mesa vazia, almas que se induziam apenas para compor o cenário, a maquiagem os retiravam da cena principal, a maquiagem os misturavam a parede neutra.

Tantas cores, tanta informação perdida, tanta dor enrustida, estudava marketing pra tentar levar as pessoas o seu verdadeiro grito de guerra, mas com o seu olhar sobre ele. Ninguém enxerga com os mesmos olhos, ninguém sente do mesmo jeito, deve-se moldar a sua ideia para repassa-la, não adianta lutar com suas armas, a arma do inimigo é a que mata ele, pois da sua ele já sabia se defender.
Tem muita gente treinada pra matar, e muita gente que mal sabe abraçar, que nem tenta cantar...
Tanto amor por aí, o mundo seguia com sonhos baseados nas histórias mais bonitas, dos filmes o melhor era aquele do sonho que se tornava real, todo mundo queria um final bonito, até mesmo ele,
mas o bonito ninguém realmente vê, o bonito é o que te faz viver. Ele não tinha preguiça, pra viver ele tinha vontade, tinha maldade, mas muita habilidade, se encantava com sua capacidade de rimar de escrever de entender e esboçar o que sentia, era tão rápido com as mãos mais meio lento com o coração, ainda voltava para o lugar que ele já deveria ter esquecido, voltou com os braços mais fechados, tentava fazer nome para caminhar, não acreditava que iria viver uma vida de poucos sorrisos e muito trabalho, só queria entender o porquê das estrelas que apareciam só à noite... De bar em bar, de sujeira à sujeira, via pouca beleza e muita riqueza, riqueza não valiosa, apenas material, ele se julgava diferente, pois se sentia diferente, tinha medo de agir, tinha medo de sonhar, tinha medo do julgar alheio, tinha medo de não tentar.

Gostava de estudar antes de aproveitar, mas largou isso e resolveu arriscar, quebrar o espelho e viver do avesso, atrás de encontrar nos sonhos que afundaram naquele mar. Trocou a foto, mudou o jeito de vestir, comprou uma câmera que até hoje não acreditava possuir...
Ainda segue o mesmo, lembrando de todos os caminhos que passou, de todas as crises que recusou, de todo o mal cheiro que infelizmente cheirou. Viu a droga quebrar a família, ouviu a dor da verdade nos ouvidos maldosos dos outros, cansou de ter que escutar quem não sabia falar, e muito menos aquelas pessoas que não queriam amar. Tinha medo de amar, na verdade um mero receio de amar, acreditava que uns nasceram pra cada rumo que resolvessem seguir.

Se um dia o vento colar no corpo e tu ver a tristeza destruir tua alma e teu sangue se tornar impuro, tu vai ver que deveria ter seguido o caminho das rosas, preferiu a lama, pois te falaram que era um outro tipo de adubo. Mas a lama pra ti era na verdade a mais cheirosa das flores, a lama era a julgada 'loucura', que aos poucos se limpava e mostrava o seu brilho, a lama já não era mais lama, aí que ele se engana, seguia com esse nome por isso tanto esclarecimento, mas era a rosa mais linda, a rosa mais solitária, que nasceu pra ser dele, precisava de nomes bonitos para lembrar de bons momentos, precisava das histórias falsas para se tornar um verdadeiro líder, não te via em batalha, te via guiando as mulas para a morte. Via preconceito em todo lugar, te via preconceituoso como te ensinaram a maltratar? Sentia que devia ir pra rua pra criar o respeito que sempre buscou, mas viu-se poderoso ao entrar na lama e encontrar a flor. Pegava detalhes de todas as cenas de sua história, de sua vivência e vasta experiência para colar em seu corpo, para colar na sua alma, via sua alma mais iluminada possível, tinha medo de suja-la, mas sonhava com o impossível, via sua pátria com outros olhos, não gostava dos falsos moralistas que intitulavam-se idealistas.

O seu livro predileto ele não lia, levava ao máximo na leveza da demora para ter sempre uma novidade, viu três vezes o filme, mas apenas o começo, criava o fim na sua mente, para matar a saudade, não queria o final, tinha medo do final, tinha medo do livro lhe encher a cara a tapa, e ele por tudo a perder novamente, não trouxe nada de material de fora, só trouxe uma história memorável pra contar, deixou de contar pois não achou ninguém que lhe pudesse escutar. Quando achava, de alguma maneira impossível aquilo se evaporava, ele já havia acostumado com tudo, não acreditava que nada iria lhe surpreender, mas sempre deixava-se e deixa-se vencer pelos novos contos. Do tipo que não acredita que terá nesse mundo ou em outros mais músicas que o farão parar para escutar, tem esperança, porque lhe faz buscar respostas, porque lhe faz sangrar nas costas, tem esperança pra se excitar com os sonhos, pra se excitar com o prazer do destino que nunca irá lhe mandar nada de graça.

Não deve morrer para viver, assim como não precisa viver para morrer, acredita que precisa sofrer para saber o que é melhor, que precisa da tristeza para encontrar o oposto, amava o oposto, sentia-se sozinho mas sem medo de gritar, quem quiser ouvir que ouça, quem quiser chorar, que chore, quem quiser amar, que minta.

Primeira parte de uma história sem fim.
Homenagens a parte, cantorias na sorte,
Carta do cartório de Deus.
Já volto.

Dosador de sonhos, por medo de cair do alto,
voltava a sonhar em meros segundos, um turbilhão
de contos a ser expressos, se prendiam a falsas cadeias,
palavras soltas contraditórias e construtivas, achou que terminou bonito,
mas não queria parar de viver, de escutar, de sonhar e de gritar,
escutava duas músicas ao mesmo tempo por causa de tanta
ansiedade que passava naquele corpo, naquela alma.
Obrigou-se a desligar uma aumentar o volume da errada, mas
da valor ao melhor sempre, metido cheio de razões, emoções e corações que já habitou,
uma longa história tinha aquele menino, não nasceu agora, como todo mundo acha,
escutava a voz do interior, sua própria voz, entendia meus concelhos,
nunca fui de me apresentar, nunca fui de me demonstrar, uns falam sobre mim,
outros dizem que me viram, mas ele unicamente, ele, sentia que eu o entendia, sentia
que eu estava ao lado dele, não tinha medo do amanhã, não tinha medo da minha revolta,
se dosava para crescer em pró de si mesmo, isso moldava a sua diferença, moldava sua raridade.
Quando o coração dele batia mais forte, ou sentia uma dor diferente, ele achava que era um preságio de uma coisa boa, de uma escrita nova, entendia que todos os ventos contava-lhe histórias, entendia que todos os rostos assemelhavam-se, entendia que de nada entendia, mas vivia porque não gosta de deixar nada sem resposta. Concluía que não haviam respostas para todas perguntas, mesmo assim ele acertava e quando errava, tentava outra vez, até errar novamente e ver o quanto ele ainda tinha que crescer.
Temia o seu passado, temia o seu presente, temia o seu futuro, temia tanto que falava sobre os três com as mesmas palavras. Não achava que exista certo ou errado, acreditava no coração, somente no coração, guiava-se por sentimentos e por cores, enxergava igualmente, caminhava igualmente, mas a cada gesto era um olhar diferente, um olhar contraditório e positivo.
Gostava de ópera, escutava em meio a suas aulas de teorias existencialistas, não comentava muito,
mas se vangloriava por ter tal gosto e ser sincero consigo mesmo.
Não gostava de se embutir culturas, gostava de descobri-las, ia mudando com o tempo,
ia encontrando ao relento almas perdidas como ele, não entendia o porquê do dia tão frio, ou
o porquê de tanta dor sem culpa, mas acreditava que se acontecia era porque deveria acontecer.
Reclamava assim como todos vivem reclamando, aceitava de certa forma diferente do que costumam aceitar, ele tentava moldar a situação e tirar o proveito do mínimo possível, cada segundo ele valorizava, alguns ele deixava passar, era mais de um eram vários no mesmo frasco, na vasta mente poderosa que ele havia por querer descobrir.

Ao passar dos anos, assoprava mais velas, sobravam em seu bolo feito por sua mãe, sobravam pessoas batendo-lhe palmas por puro cenário, não entendia porque aquilo funcionava de certa forma, não sentiu-se feliz com a quantidade de abraços, sentia falta de um só, sente ainda.
Aos poucos ia descartando quem ia lhe impondo situações inusitadas e que causavam tristezas descartáveis, achava que cometia erros, gostava de seguir sua hombridade, gostava de sentir-se honesto e de bom coração. Mas não aguentava tanta falsidade em meio da tanta poluição.
A cada bloco uma palavra lhe contava uma história, sentia-se louco mas em paz.
Somava aos seus textos histórias paralelas as suas, escrevia para não perder as ideias:

"A dona do hotel pedia silêncio e o aluguel em dia,
irritado dizia sempre que iria se mudar,
mas não conseguia largar o carinho excessivo da
pequena grande senhora dona do ambiente calmo e de
muitas oportunidades de sonhar."
Na vida dele era realidade, na cabeça dele construía uma história com outras cores, talvez o mesmo quadro, talvez os mesmo momentos, todos com a mesma alma, todos se cruzando por esse multiverso, como a própria palavra já diz, ao inverso sobravam contos, sobravam prosas, sobravam flores.
Unia-se com dois propósitos contrários, queria ser notado, mas queria se sentir igual.
Se tudo fosse especial, nada seria especial, lhe contou um professor, anotou usou de armas para salvar, mas não havia percebido que o que tem realmente valor ele não esquecia..
Havia uma música perdida no meio da mesma que ele escutava, ele gostava mais da perdida do que quase toda discografia, não desmerecendo uma das únicas obras que ele amava.
Não era de muitos ídolos, comparava-se à todos, tinha medo do fracasso, tinha medo da loucura, das duas uma ou era um gênio ou esquizofrênico. Via a tendência do sem contraste decolar enquanto o que ele mais queria era poder suas cores mostrar.
Buscou energia nas grãos que vinham da terra, sentia as mãos escravas lhe trazendo paz, sentia a dor dos negros lhe induzindo a escrever algo construtivo ao seu lar, a Terra.

Certa vez a vida o surpreendeu, um sonho discreto, não decretado por si mesmo, acabou-se que dando um empurrão após um dourado diferente que mandei do céu, havia ficado feliz com o pequeno resultado, vendo que podia chegar mais longe, pois a magia do invisível notado pelos fortes, o fez diferente naquela rotina contraditória, mas totalmente linear.

"Escutava duas músicas ao mesmo tempo, por mera ansiedade".

Já volto.

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Já era outra hora, outro ano, outra vida, sentia-se diferente de todos os dias que já viveu,
acordou de um sonho que durava por alguns anos, tudo havia mudado, ele não existia mais,
ficou apenas vestígios do que já foi, reconstrução é o primeiro instinto ao ver tudo cair, sem dor,
sem emoção, frio como um gelo, gelado como o inverno que fazia-o encolher-se na cama e sentir-se amado. Já não existia naquele meio, naquele mundo que até o melhor amigo o empunhava sempre, chorando aos poucos, gosto amargo na boca, a visão era turva, a dor era aparente apenas quando caminhava, sentia fraqueza, cada noite que passava era um sonho mais pesado, um sonho mais profundo, parecia que a cada noite que dormia não ia acordar, tinha medo de dormir, medo de morrer e não fazer nada, já acreditava que a morte estava batendo em sua porta, começou a querer fazer tudo mais rápido, começou a tentar acabar com suas tarefas em um dia, dava um gás, acabava sentado na cadeira que sempre sentou. Muitos nem estavam ligando, sentindo-se perseguido corria de todos, fugia de tudo, gritava com quem amava-o era quase um surto diário, era quase um louco presidiário, só que sozinho em uma prisão enorme, já perdia-se nos pensamentos, não entendia o porquê de mais nada, não lembrava do que viveu, se era real, ou se já morreu.. Parecia que nada existiu, que ele era só mais um e tudo se partiu, se sentia único e mal programado pra compreender o mundo mal educado. De tão sincero e tão humilde, de boas atitudes se convencia ser um príncipe, era apenas mais uma alma dessas escolhidas por Deus pra sofrer.. Ele achava que era um teste, que a vida dele tava sendo vigiada a cada segundo, que cada barulho tinha um significado, que cada buraco tinha uma luz, acreditava muito no futuro, pouco no passado, fazia suas filosofias, suas meras escritas numa folha rasgada, não gostava de ser passado pra trás, achava que sempre deveria estar por cima, mal sabia ele que o mundo o omitia, que o mundo nem existia, era só fruto de uma imaginação do coração. Fazia que tudo desse certo, já até esquecia que tudo às vezes sumia, fazia que nada chegasse perto, mentia-se que de tudo sabia. Aquela sensação de dor, era presente nas noites tortas, ele seguia uma onda, seguia a vida como devia seguir, tentava não se preocupar, mas acabava sempre por sofrer, já tava na parte que tinha medo do mundo, já não entendia se tinha que entrar ou seguir correr a baixo, dava risada sem motivo, chorava meio perdido. De tão sozinho que ficou, criou personalidades em si mesmo, cada um falava um assunto, cada um dava uma ideia, não chegava a conclusão alguma, só conseguia ficar mais confuso, tinha uma vida muito abrangente, não entendia porque estava acontecendo aquilo, logo com ele, tão normal, achava que tinha pedido pra nascer diferente, de tão diferente, tornou-se sozinho. Ia conseguindo respeito no seu castelo de baralho, mas como já lhe contava o passado, tudo um dia iria cair, enfim caiu. Perdeu-se, sumiu, mas ta lá ainda, penando por não sei quantos anos, se ficar, sofre, se sair, sofre, qual a pretensão de tudo isso? Do que vale todo esse desespero? Não tá na hora de parar com a brincadeira? Não tá na hora de deixar ele desistir? Ele cansou, ele já se desesperou, ele já morreu, já renasceu, já escreveu, já marcou, não ta na hora desse jogo acabar? Sem respostas voltava a pensar, voltava a escrever, era um mero desabafo a cada segundo, chorava sem sentir-se imundo, chorava sem intensão de sofrer, chorava apenas pra ver sua lágrima cair...

-\\- Um carta ele irá ler.